Cena Aberta Entre o Passado e o Futuro

Anfiteatro do Forte de São Pedro Nolasco é patrimônio onde público e Arte se encontram

Da descoberta de traços do passado, nasce o palco em que se apresenta a Arte de hoje e de sempre. Exposto ao sol da modernidade, o patrimônio histórico cultural de Belém reaproxima-se dos paraenses, tendo variadas produções culturais como anfitriãs. A fundação da Estação das Docas em maio de 2000 abriu aos visitantes do complexo turístico a possibilidade de assistir eventos artísticos num espaço especial: o Anfiteatro do Forte de São Pedro Nolasco, um autêntico testemunho das riquezas que se ocultam no solo amazônico.

“Acho que Belém ganhou um precioso presente com a redescoberta dos vestígios desse forte”, revela Catarina Marques, 24 anos, assídua freqüentadora dos espetáculos apresentados no anfiteatro. “Acho esse espaço um dos mais charmosos da Estação”, complementa o profissional liberal Júlio Siqueira, 42 anos. “É muito bom passar momentos do final de semana apreciando manifestações culturais ao ar livre”, atesta a estudante Natália Mendonça, 17 anos.

Para os artistas, esse contato com público à luz aberta é algo que guarda grande mágica. “Além de ser bastante seguro, o espaço permite que a gente atinja um público grande e fiel”, conta Paulo Nascimento do Grupo In Bust, um dos que mais se apresentou no local. Famosa por seu singular trabalho junto ao teatro com bonecos, a companhia encenou no Forte de São Pedro Nolasco quase todos os espetáculos de seu repertório. “Quando decidimos procurar lugares alternativos para os nossos espetáculos, a Estação foi uma das primeiras a nos acolher. Ficamos felizes por saber que ajudamos a formar uma platéia cativa para apresentações no anfiteatro”.

Descoberta – Durante os trabalhos de demolição do espaço de embarque e desembarque do antigo porto de Belém (Galpão Mosqueiro / Soure) foram descobertos vestígios do pequeno Forte de São Pedro Nolasco, uma construção militar de 1665, localizada às margens da Baía do Guajará. Segundo relatos históricos, o Forte ficou totalmente arruinado após a Guerra da Cabanagem, em 1835.

Com a revitalização do complexo turístico, no local em que ressurgiram tais vestígios foram erguidos um anfiteatro e um mirante a céu aberto. Além destas construções, uma janela arqueológica marca a presença do Forte. O ponto que originou a estruturação do cais de Belém hoje serve como palco do projeto Pôr-do-Som, que acontece todos os domingos em horários alternativos e envolve saraus, apresentações teatrais e musicais com artistas da capital e do interior. Atrações que despertam o interesse de turistas e de quem vive em Belém.

Importância Patrimonial – O Forte de São Pedro Nolasco alcançou posição de destaque no acervo histórico-patrimonial e na configuração urbanística de Belém não apenas por suas funções militares, mas por sua característica arquitetônica singular. Conforme se pode confirmar em várias plantas da cidade produzidas nos séculos XVIII e XIX, o espaço traçado original em formato de coração. A construção do Forte foi iniciada em agosto de 1665, às margens da Baía do Guajará, exatamente nos fundos do antigo Convento dos Mercedários e da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. O lugar foi erguido por ordem do terceiro governador e capitão geral do Pará, Ruy Vaz de Siqueira, que lhe deu o nome de São Pedro Nolasco. Os aposentos internos destinavam-se ao quartel, casa para oficial, casa de pólvora e prisão.

Teatro ao Pôr do Som
Todos os domingos, sempre às 17h30, espetáculos teatrais, como teatro de bonecos e teatro infantil, voltados para a cultura popular e lendas amazônicas.