04|07|07
Cine Estação exibe "Baixio das Bestas"
O Cine Estação, da Estação das Docas, exibe nos dias 7 e 8 de julho o polêmico longa-metragem "Baixio das Bestas", que tem gerado sentimentos opostos por onde passa. Dirigido pelo pernambucano Cláudio Assis (o mesmo de "Amarelo Manga"), o filme traz no elenco a atriz paraense Dira Paes ao lado de Matheus Nachtergaele e Caio Blat. A programação é promovida pela Organização Pará 2000, Secult e Governo do Estado.
Contendo fortes cenas de violência e conteúdo inadequado para menores de 18 anos, o filme se passa na Zona da Mata de Pernambuco, em uma pequena cidade rural circundada por plantações de cana-de-açúcar. A menina Auxiliadora (Mariah Teixeira), de 16 anos, é explorada e mantida dentro de casa pelo avô, seu Heitor (Fernando Teixeira). Em algumas noites, o avô a leva ao posto de gasolina local, próximo à igreja, para expô-la nua e cobrar dinheiro dos homens que querem vê-la.

Na cidade, o agroboy Everardo (Matheus Nachtergaele) junta-se a Cícero (Caio Blat), estudante no Recife que retorna aos fins de semana para ficar com a família. Com sua turma, eles promovem orgias regadas a muita violência no bordel local, a casa de dona Margarida (Conceição Camarotti), onde trabalham as prostitutas Dora (Dira Paes), Bela (Hermila Guedes) e Ceiça (Marcélia Cartaxo).
A paraense Dira Paes protagoniza algumas das cenas mais fortes de "Baixio das Bestas". Sua personagem, a prostituta Dora, é violentada pelos agroboys Everardo e Cícero. Pela sua atuação em "Baixio", Dira recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília deste ano. Aliás, o filme recebeu outros cinco prêmios no Festival de Brasília: Melhor Filme, Melhor Atriz (Mariah Teixeira), Melhor Ator Coadjuvante (Irandhir Santos), Melhor Trilha Sonora e Prêmio da Crítica.
"O filme merece todos os prêmios que a gente ganhou. Ele tem a ousadia de falar do Brasil de uma maneira pungente, verdadeira", acredita a atriz. O longa-metragem também recebeu prêmios internacionais, com destaque para o troféu de Melhor Filme (Tiger Award) do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam (Holanda) e Melhor Direção no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
A atriz, considerada "a musa do cinema nacional" pela revista Rolling Stone Brasil que acaba de chegar às bancas, fez laboratório com prostitutas de verdade para compor a personagem. Com 26 filmes na carreira, Dira Paes considera o diretor Cláudio Assis – com quem também trabalhou em "Amarelo Manga" (2003) – essencial para o atual momento cultural brasileiro. "O Cláudio é um artista altamente imprescindível para o cenário cultural do cinema brasileiro. Ele pensa a cultura, pensa o Brasil, pensa o mundo. É um cinema contundente, o tipo da obra que fica e que se absorve muito melhor depois", acredita a atriz, que já estrelou três filmes em 2007 ("A Grande Família", Ó Paí Ó" e "Baixio") e em breve estará em um novo longa-metragem. Filmado em fevereiro, "A Festa da Menina Morta" é o primeiro longa dirigido por Mateus Nachtergaele, que também assina o argumento do filme.
Para ela, o "Baixio" é ainda mais contundente que "Amarelo Manga". "É um filme mais audacioso em comparação com o 'Amarelo Manga', porque ele vai mais fundo no Brasil. E retrata um momento da humanidade. Chama-se 'Baixio' porque fala do sentimento da besta fera que está tomando conta do mundo".
O filme denuncia a exploração dos trabalhadores da cana na Zona da Mata nordestina que já dura séculos. "Mostra a exploração dos trabalhadores rurais que trabalham na extração da cana, que continuam miseráveis como há 450 anos. E não tiveram nenhum tipo de garantia trabalhista", afirma Dira. Sobre os agroboys, ela vê um paralelo direto com fatos recentes do Brasil. "Principalmente depois do que aconteceu com aquela empregada doméstica, espancada no Rio. O filme se antecipou e mostra pessoas que praticam violência gratuitamente", comenta.
Em março de 2007, Dira recebeu o troféu "Humor na TV" da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), pela personagem Solineuza de "A Diarista". Neste sábado (30 de julho), a atriz completa 39 anos de vida, com uma festa em meio às gravações do seriado. Na quarta-feira (4 de julho), a atriz virá a Belém para coordenar o 4º Festival de Belém do Cinema Brasileiro, junto com a EF Produções. Durante o festival, ela participará de sessões do filme "Ele, o Boto", o seu primeiro filme brasileiro, lançado há exatos 20 anos.
"Baixio das Bestas" será exibido neste sábado (30), às 20h30. No domingo, (1), as sessões serão às 16h30, 18h30 e 20h30. O filme será exibido novamente nos dias 7 (20h30) e 8 (10h, 18h30 e 20h30).
Serviço
"Baixio das Bestas" será exibido nos dias 7 e 8 de julho, no Cine Estação. Dia 7, às 20h30, e dia 8, às 10h, 18h30 e 20h30. Ingressos a R$ 5, com meia-entrada para estudantes. A programação é uma realização da Pará 2000, Secult e Governo do Estado. Informações: (91) 3212-5525.